
Entre os dias 16 e 20 de julho, Altamira sediará a primeira edição do Festival de Cultura e Jogos Indígenas do Xingu, um evento inédito que irá reunir mais de 900 indígenas de 14 etnias para celebrar tradições, promover o intercâmbio cultural e fortalecer os laços entre comunidades indígenas do Xingu e do estado.
O festival, realizado no município, visa valorizar a diversidade cultural indígena e incentivar a prática esportiva tradicional por meio da participação de atletas de diferentes aldeias.
Celebração da cultura e resistência – Esta primeira edição contará com a presença de mais de 900 indígenas de 14 etnias de diversas Terras Indígenas (TIs), sendo elas:
Arara (TI Arara Volta Grande do Xingu): Os Arara da Terra Indígena (TI) Arara Volta Grande do Xingu são um povo indígena que habita a região do médio Xingu, no Pará, e são conhecidos por sua resistência e por suas tradições culturais. Falam um dialeto da família Karib, também chamado de Arara. O artesanato Arara é uma importante manifestação cultural, com a participação de mulheres de diferentes idades.
Arara (TI Arara): Os Arara são um povo indígena brasileiro, com diversos grupos distribuídos em diferentes áreas da Amazônia, especialmente na Terra Indígena Arara, na Terra Indígena Cachoeira Seca do Iriri e na Terra Indígena Arara da Volta Grande do Xingu. Eles falam línguas da família Karib e compartilham laços linguísticos com outros grupos como os Ikpeng.
Arara (TI Cachoeira Seca): O povo Arara, também conhecido como Ukarãngmã, é um grupo indígena que habita a Terra Indígena (TI) Cachoeira Seca, localizada no oeste do Pará, entre os rios Iriri e Xingu. Eles são conhecidos por sua história de contato recente com a sociedade não indígena. Localização: A TI Cachoeira Seca abrange uma área de 734 mil hectares, onde vivem os Arara, que historicamente ocupam a região do divisor de águas entre os rios Xingu e Amazonas, uma área estratégica para a adaptação ecológica e o uso de recursos diversos.
Xipaya (TI Xipaya): Os Xipaya vivem no sudoeste do Pará, na Terra Indígena Xipaya, localizada no município de Altamira. A língua Xipaya, quase extinta, está sendo revitalizada através de esforços da comunidade para preservar suas características originais. As práticas religiosas Xipaya, de base xamânica, incluem rituais e feitiços realizados por pajés para cura e proteção. Embora muitos Xipaya tenham se convertido ao cristianismo, as práticas tradicionais ainda são realizadas em algumas aldeias e comunidades.
Kuruáya (TI Kuruáya): Os Kuruáya, também conhecidos como Curuaias, Cruaia e Kuruaia, são um povo indígena que habita a região do sudeste do estado, incluindo áreas urbanas e a Terra Indígena Kuruáya, localizada em Altamira. A TI Kuruáya possui uma área de 166.784 hectares e abriga uma população de 159 pessoas. A língua Kuruaya pertence à família linguística Tupi-Munduruku.
Asurini (TI Koatinemo): Os Asurini do Xingu, também conhecidos como Asuriní, são um povo indígena que habita a Terra Indígena Koatinemo. A aldeia principal está situada na margem direita do rio Xingu. São conhecidos por sua rica cultura, expressa através da arte gráfica, da cerâmica e de rituais como o Turé (um ritual que envolve tradição, música, religiosidade e brincadeira, com variações de toadas e ritmos). A língua Asurini pertence à família Tupi-Guarani. A região também abriga outras terras indígenas, como Araweté, Apyterewa, Kararaô, Trincheira/Bacajá e Arara. A língua Asurini pertence ao tronco Tupi-Guarani.
Xikrin (TI Trincheira Bacajá): Os Xikrin são um povo indígena que vive na Terra Indígena Trincheira-Bacajá, localizada na região de Altamira. Eles pertencem ao tronco linguístico Jê e também são conhecidos como Mebêngôkre Kayapó, assim como outros grupos Kayapó. Estima-se que aproximadamente 746 pessoas vivam na TI Trincheira-Bacajá, distribuídas em oito aldeias ao longo do rio. Os Xikrin falam a língua Mẽbengôkre, assim como outros grupos Kayapó.
Kayapo (TI Kararaô): Os Kayapó, também conhecidos como Mebêngôkre, são um povo indígena que vive em Terras Indígenas nos estados do Pará e Mato Grosso, no Brasil. A Terra Indígena Kararaô é uma dessas áreas, onde vivem cerca de 54 pessoas da etnia Kayapó. Os Kayapó são conhecidos por sua tradição guerreira, seu protagonismo na luta pelos direitos indígenas e por sua rica cultura e organização social.
Parakaña (Apyterewa): Os Parakanã, também conhecidos como Apyterewa, são um povo indígena do estado do Pará. A população Parakanã na Terra Indígena Apyterewa é de aproximadamente 452 pessoas. Os Parakanã mantêm suas práticas culturais, como o artesanato e a comercialização de castanha-do-pará, como forma de preservar sua cultura e economia.
Araweté (TI Araweté): Os Araweté são um povo tupi-guarani de caçadores e agricultores da floresta de terra firme. Vivem na Terra Indígena Araweté/Igarapé Ipixuna, próximo à Altamira. Eles são conhecidos por sua cultura rica, que inclui cantos e rituais xamânicos, e por sua cosmologia que descreve o universo e a divindade. Falam a língua Araweté, pertencente à família Tupi-Guarani. A população é estimada em algumas centenas de indivíduos.
Juruna (TI Paquiçamba): Os Juruna, também conhecidos como Yudjá (que significa “dono do rio”, refletindo sua profunda conexão com o rio Xingu e suas habilidades como canoeiros e pescadores), são um povo indígena que habita principalmente a região do Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, e a área próxima ao baixo rio Xingu, no Pará, incluindo a Terra Indígena (TI) Paquiçamba e a Área Indígena do Km 17. São conhecidos por sua relação com a água, sendo hábeis canoeiros e pescadores, e por sua rica cultura material, expressa em grafismos em cerâmicas, canoas e pinturas corporais.
Gavião de Kyikatejê (TI Mãe Maria): Os Gavião de Kyikatejê, também conhecidos como Koykateyê, são um povo indígena do grupo Gavião do Oeste, que vive na Terra Indígena Mãe Maria (município de Bom Jesus do Tocantins), no sudeste do Pará. Eles são falantes do dialeto Kyikatejê da língua Timbira Oriental, pertencente à família Jê. A etnia Gavião de Kyikatejê é conhecida por suas tradições, como os rituais que envolvem a divisão em metades cerimoniais, Pàn (Arara) e Hàk (Gavião), e a prática de corridas de toras e jogos de flechas.
Krimei Xikrin (TI Xikrin do Rio Caeté): São um subgrupo do povo Xikrin, que por sua vez pertence ao grupo maior Kayapó (Mebêngôkre), e habitam a Terra Indígena Xikrin do Rio Caeté (localizada no sudeste do estado, com áreas próximas aos municípios de Água Azul do Norte, Marabá e Parauapebas). São conhecidos por sua cultura, com destaque para a pintura corporal elaborada pelas mulheres e a importância da palavra e da audição na sua sociedade. Os Xikrin são falantes da língua Mebêngôkre, que pertence ao tronco linguístico Jê.
Kayapo Menbengôkre (TI Kayapo): Os Kayapó, também conhecidos como Mebêngôkre, são um povo indígena que habita uma vasta área na Amazônia brasileira, nos estados do Pará e Mato Grosso. Eles são famosos por sua forte tradição guerreira e por sua atuação na luta pela defesa dos direitos indígenas e pela preservação de suas terras.
Os Kayapó possuem uma rica cosmologia, vida ritual e organização social. São conhecidos por suas práticas agrícolas, como o cultivo de roças em áreas de floresta, e por sua forte relação com a natureza. A língua Kayapó pertence à família Jê e é um elemento importante de sua identidade cultural, embora existam variações dialetais entre os diferentes subgrupos.
O evento – O Festival de Cultura e Jogos Indígenas do Xingu é uma realização do Programa Estadual de Incentivo à Cultura (Semear), da Fundação Cultural do Pará (FCP), da Secretaria de Turismo do Pará (Setur) e do Governo do Pará. O evento é patrocinado pela Prefeitura de Altamira, pela Equatorial Energia e pela Belo Sun Mineração. E conta ainda com o apoio da Secretaria Municipal de Turismo (Semtur), da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Semel), da Secretaria Municipal de Educação (Semed), da Secretaria Municipal de Assistência e Promoção Social (Semaps), da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), da Secretaria Municipal de Segurança Pública, Mobilidade Urbana e de Articulação da Cidadania (Segmuc), do Distrito Sanitário Especial Indígena de Altamira (Dsei) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).