Por muitos anos, atravessar a Ponte da Peixaria foi um ato de coragem para quem mora nos bairros Alberto Soares, Altaville I e II e no Residencial Sentinela do Xingu. Entre buracos, madeira desgastada e a escuridão da noite, cada travessia carregava incertezas e, ainda assim, fazia parte da rotina de centenas de pessoas.
Hoje, essa realidade começa a ficar para trás. Com a reconstrução da ponte, o que antes era preocupação dá lugar à segurança, à mobilidade e a um novo sentimento: o de alívio para quem, todos os dias, depende desse caminho para seguir sua vida.

A obra, executada com recursos próprios pela Prefeitura de Altamira, por meio da Secretaria Municipal de Obras, Viação e Infraestrutura (Semovi), tem 47 metros de comprimento e oito metros de largura.
“Essa ponte histórica faz parte do nosso dia a dia. A gente provou que no inverno, estamos em pleno inverno, a ponte não alaga; portanto, com recursos próprios, nós fizemos uma ponte com qualidade”, afirmou Loredan Mello, prefeito de Altamira.

A nova estrutura foi construída com cerca de 150 metros cúbicos de madeira, pensada para oferecer mais resistência, durabilidade e segurança ao intenso fluxo de veículos e pedestres.
Para chegar ao resultado final, foi necessário um trabalho completo: a antiga ponte foi totalmente removida, o terreno passou por escavação e preparação, foram cravadas novas estacas, executada a fundação e, por fim, montada toda a base estrutural.

Um dos avanços mais importantes é que, pela primeira vez, a ponte conta com guarda-corpo e iluminação pública. A instalação de postes garante visibilidade durante a noite, trazendo segurança para quem precisa atravessar o local em qualquer horário.
Desde 2025, a Prefeitura já soma mais de 70 pontes construídas ou reformadas, ampliando a mobilidade em diversas regiões. “Isso era o maior desejo da população aqui do Alberto Soares, e hoje está sendo entregue: é uma nova ponte com iluminação. Então a gente vê a alegria estampada no rosto das pessoas aqui deste bairro, então para nós é muito gratificante”, disse Osmar Marinho, secretário de Obras, Viação e Infraestrutura.
A reconstrução teve início em outubro de 2025, após uma avaliação técnica identificar que a antiga estrutura estava em condições críticas, oferecendo riscos à população.
Há 30 anos, Reginaldo Pereira construiu sua vida no bairro Alberto Soares. Ele viu o crescimento da região, o aumento do fluxo de pessoas e, junto com isso, o desgaste da antiga ponte que, por muito tempo, foi motivo de preocupação para todos que dependiam dela. Para ele, a travessia nunca foi apenas um caminho, mas uma necessidade diária. Trabalhadores, moradores, militares do 51 BIS, gente de todos os lados passava por ali, enfrentando dificuldades e riscos.
“Era muito precária, porque a gente que mora aqui há tanto tempo, o pessoal que depende da ponte aqui, como nós aqui do Alberto Soares, Altaville I e II, o pessoal do quartel, 51 BIS, e todos precisam passar por essa ponte. Só gratidão por tudo. Agora sim, a ponte tá uma maravilha, com iluminação que a gente não esperava.”
Outra beneficiada pela obra é Francisca Sousa, que mora no bairro há cinco anos e conhece bem os desafios que a antiga ponte trazia. Para quem depende de moto no dia a dia, qualquer problema na via pesava no bolso, e foi exatamente isso que ela enfrentou. Buracos, madeira desgastada e irregularidades faziam parte da rotina. O prejuízo vinha sem aviso, como quando o pneu da moto furou mais de uma vez ao passar pelo local. “O pneu da minha moto já furou umas duas vezes aqui. Tá ótimo, deu uma melhorada boa.”
Como presidente do bairro Alberto Soares, Alcino Lima acompanhou de perto as dificuldades enfrentadas pela comunidade. Ele ouviu reclamações, presenciou situações de risco e viu de perto o medo de quem precisava atravessar a ponte, principalmente à noite.
A falta de iluminação aumentava a sensação de insegurança, e o caminho que deveria facilitar a vida das pessoas, muitas vezes, se tornava motivo de apreensão. “A situação aqui era precária dessa ponte. O pessoal que passava aqui não tinha aquela segurança de passar em cima da ponte, mas, graças a Deus, o gestor viu a nossa necessidade e fez essa ponte pra nós, que é bastante valia. Diminui também a distância do Alberto Soares para chegar ao centro. Aqui era sem iluminação, era maior risco da pessoa passar; a pessoa passava a noite e podia ser assaltada, mas, graças a Deus, o gestor viu nossa necessidade, colocou iluminação, ficou top aqui nosso acesso aqui do Alberto Soares”.